O que é um depósito a prazo e como funciona
Um depósito a prazo troca liquidez por uma taxa fixa. Explicamos o que assina, como os juros são calculados e o que acontece se precisar do dinheiro antes.
Um depósito a prazo é um contrato simples. Entrega ao banco uma quantia de dinheiro durante um período definido — 3 meses, 12 meses, 5 anos — e em troca o banco paga-lhe uma taxa de juro previamente acordada. Termina o prazo, recebe o capital de volta com os juros.
É isto. Não há truques. A parte que vale a pena perceber bem é o resto: o que assina, como o dinheiro fica bloqueado, e o que acontece nas situações menos óbvias.
O que assina, exatamente
Ao subscrever um depósito a prazo recebe uma Ficha de Informação Normalizada (FIN). Vale a pena lê-la. Ali estão o capital, a TANB (Taxa Anual Nominal Bruta), a TAEB (que já reflete a capitalização) e as regras de mobilização antecipada — ou seja, o que acontece se precisar do dinheiro antes do vencimento.
Nem todos os depósitos são iguais. Alguns são "não mobilizáveis": não pode levantar antes, ponto final. Outros permitem levantamento antecipado mas com perda total ou parcial dos juros. Um terceiro grupo — cada vez mais raro — deixa levantar sem penalização mas paga uma taxa mais baixa em troca dessa flexibilidade.
Como são calculados os juros
A fórmula é: capital × taxa × tempo. Se depositar 10.000 € a 3% durante 12 meses, os juros brutos são 300 €. Metade do prazo, metade dos juros. Nada de misterioso.
Onde há nuances é na capitalização. Um depósito a 12 meses paga uma vez, no fim. Um depósito a 3 anos com capitalização anual paga juros sobre juros — os juros do primeiro ano juntam-se ao capital e rendem no segundo. A TAEB inclui esse efeito; a TANB não. Compare sempre TAEB com TAEB.
O que o banco faz com o seu dinheiro
Empresta-o. É a atividade central da banca comercial: capta depósitos a um preço (a sua taxa) e empresta a outro preço (o crédito à habitação, o crédito às empresas). A margem entre um e outro é o negócio.
Por isso as taxas dos depósitos sobem quando o BCE sobe as taxas diretoras: o banco pode cobrar mais pelos empréstimos, portanto pode oferecer mais pelos depósitos. Quando o BCE corta, o movimento é inverso.
E se o banco falir?
O seu dinheiro está protegido pelo Fundo de Garantia de Depósitos (FGD) até 100.000 € por depositante e por banco. É uma proteção europeia harmonizada — todos os países da UE têm o mesmo tecto de garantia. Acima desse valor, o excedente entra no processo de liquidação normal, sem garantia prévia.
Se tiver mais de 100.000 € para poupar, a solução simples é dividir entre dois ou três bancos. A garantia aplica-se por banco, não por depósito, portanto abrir dois depósitos no mesmo banco não duplica a proteção.
Vantagens e limitações
O que os depósitos fazem bem: capital garantido, rendimento previsível, sem sobressaltos. Sabe exatamente quanto vai receber e quando. Para dinheiro que não vai precisar durante um horizonte definido, é difícil bater essa combinação de simplicidade e segurança.
O que não fazem: proteger contra a inflação de forma automática, nem oferecer os retornos de longo prazo dos ativos com risco. Se a inflação estiver em 4% e o depósito render 2,5% líquido, está a perder poder de compra em termos reais. Não é um problema por si só — nem tudo tem de bater a inflação — mas convém ter consciência.
Para quem faz sentido
Para o dinheiro que sabe que vai precisar dentro de 6, 12, 24 meses e que não quer ver oscilar. Para a parte "sem risco" de uma carteira mais ampla. Para quem prefere previsibilidade a potencial.
Se o objetivo é longo prazo — reforma, património para os filhos — os depósitos são uma peça, não a estratégia toda. Se é curto prazo com data certa, é provavelmente a peça principal.
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